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EU, ELDER F.


Livros, filmes, fotografias e histórias contadas pela metade.

Crítica: Com Amor, Van Gogh

Embora Vincent Van Gogh tenha obtido quase nenhum reconhecimento em vida, o legado de sua obra sobreviveu a sua geração para inspirar futuros artistas ao redor do mundo. Suas pinceladas dramáticas deixaram nas suas pinturas expressões de movimento que viriam a guiar os olhos de quem as contempla. Em Com Amor, Van Gogh, dirigido por Dorota Kobiela e Hugh Welchman, esses movimentos preenchem a tela, criando uma experiência visual que leva a audiência para dentro das pinturas mais famosas do artista.

A grandiosidade do longa-metragem advém do talento e dedicação de mais de cem pintores classicamente treinados que trabalharam para criar cada quadro do filme usando a mesma técnica que Van Gogh. No total, 65 mil quadros foram pintados a óleo em tela, o que não apenas resultou no primeiro filme inteiramente produzido com pinturas a óleo, mas também em uma exposição no museu Het Noordbrabants na Holanda que conta com mais de uma centena das pinturas a óleo criadas na realização de Com Amor, Van Gogh.

O enredo do filme também segue um caminho diferente do esperado, pois ao invés de ser uma biografia, a história começa um ano após a morte de Van Gogh com o jovem Armand Roulin, cujo pai era amigo íntimo do artista. O pai do Armand pede que ele entregue pessoalmente a última carta de Van Gogh ao seu destinatário, visto que tentativas anteriores de entregar a carta falharam. Armand, que nunca foi muito próximo ao pintor, inicia então uma jornada que o permite conhecer um Van Gogh até então despercebido para ele.

Ao traçar os passos do artista durante os seus últimos dias de vida, Armand visita os cenários de obras como "A Noite Estrelada (1889), "Terraço do Café à Noite" (1888) e "Campo de Trigo com Corvos" (1890), com um detalhe especial, em Com Amor, Van Gogh as obras estão "vivas". Os movimentos, as fortes pinceladas e as cores tomam a tela, criando um espetáculo visual que hipnotiza o espectador.

O enredo, ainda que simples, consegue sobreviver ao estilo, fazendo questionamentos não tão profundos sobre suicídio e arte e retratando a mente conturbada do artista. Ao contar a sua história através das suas obras, Com Amor, Van Gogh reverbera as próprias palavras do Van Gogh: “Só podemos falar através das nossas pinturas".

Com Amor, Van Gogh (2017)
DireçãoDorota Kobiela, Hugh Welchman
Gênero: Drama/Animação
Roteiro: Dorota Kobiela, Hugh Welchman e Jacek Dehnel
Duração: 1h 35 m 
Trailer:



Texto originalmente publicado por Elder Patten Ferreira em Art House Cinema & Pub.