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EU, ELDER F.


Livros, filmes, fotografias e histórias contadas pela metade.

Eu, Elder F., 25 anos, nem drogado ou tampouco prostituído

Não, esse blog não foi hackeado e nenhum post foi excluído. É o mesmo, mas com um nome diferente. 

Há nove anos atrás criei o blog O Epitáfio quando decidi criar um "diário virtual" para as poesias que eu me arriscava a escrever. A ideia para o nome surgiu de uma poesia do Álvares de Azevedo. Melancólico e fatalista, Álvares de Azevedo se tornou uma espécie de inspiração na minha adolescência. Aí já viu, as poesias que eu escrevia eram todas muito focadas no eu, nas emoções e nas tristezas da vida. Na época, eu só não aderi ao movimento emo pois eu não tinha cabelo liso, mas os sentimentos adolescentes, ah, esses eu tinha. 
Vamos Medusa, o que queres de mim?
Se paralisas meu corpo com teu olhar de feitiço...
Prendendo o brado silencioso de minha voz,
Fazendo do Carma teu Amor e teu vício.

Vens friamente sibilar nos ouvidos
Meu, que sou teu, dos demais sou a morte.
Te enganas ser vil, completa indolente...
Se me entrego a teus olhos, nunca fui forte. 
(Trecho de 'Reflexo De Medusa' que escrevi em 2008).
Um pouco de vergonha alheia, não? De qualquer forma, os anos se passaram e troquei a poesia pela prosa.
Os próximos dias, então, seriam um intervalo entre os dias em que se tenta bloquear o desespero da saudade e os dias em que a agonia escapole sem nenhum controle. Os dias em sua maioria se resumiriam a desabar sem encontrar apoios para se reerguer. O homem do outro lado da linha continuava pensando em todas essas consequências quando de repente teve o seu raciocínio interrompido.

– Alô? – disse a voz feminina uma outra vez.

– Alô – ele respondeu, rompendo enfim o silêncio.
(Trecho de 'Ir do verbo ficar' escrito em 2014)
Um dia, sem quê nem pra quê, também decidi escrever sobre livros, inclusive fiz parcerias com editoras como a Íntrinseca e a Record. Depois, com o advindo do intercâmbio, passei a escrever sobre morar no exterior. Na mesma época, cheio de opiniões para dar, comecei a escrever crônicas e algumas críticas. O nome do blog, O Epitáfio, permaneceu o mesmo, mas o conteúdo produzido mudou tanto que algo parecia estar fora do lugar. De início não me incomodei, pois novos leitores chegavam no blog a todo o instante, mas depois de um longo hiato, iniciado no ano passado, decidi que se eu voltasse a escrever o nome do blog deveria ser alterado. 

Guess what? I'm back by popular demand.

De volta ao jogo, o desafio seria pensar no novo nome.

Um dos meus escritores favoritos, Caio Fernando Abreu, gostava de assinar como "Caio F.", então pensei que utilizar o meu próprio nome para o blog talvez fosse uma boa opção, pois eu estaria fazendo uma referência ao Caio ao me intitular "Elder F." e ao mesmo tempo eu assumiria a minha identidade, mas logo descobri que eu não poderia alterar o nome das outras redes sociais do blog para elderf, pois esse nome do usuário já estava sendo usado por outros. Mas não desisti.

Lembrei então que "Elder F." não faz referência apenas a um escritor, mas também a uma obra literária que por acaso eu li na minha adolescência: "Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída". Nem drogado ou tampouco prostituído, decidi usar "Eu, Elder F." mesmo assim, por me lembrar da época que li o livro, por estar relacionado ao mundo literário de alguma forma e por se tratar de mim, sem epitáfios, sem nada mais.

Não se engane, porém, pois o nome é outro, mas o conteúdo é o mesmo e as aventuras, ah, essas são novas. Sendo assim, prazer sou: Eu, Elder F., 25 anos, nem drogado ou tampouco prostituído, apenas um desenvolvedor de software vivendo simultaneamente entre códigos e entre linhas.